Como instalar uma distribuição Linux pelo (e no) pendrive: Unetbootin

Por necessidade, porque no computador não tem unidade de CD/DVD, ou por praticidade, porque não é preciso gastar dinheiro comprando disco, o Unetbootin é a melhor opção para instalar uma distribuição Linux. Ainda quando o tempo de instalação cai muito, pois a taxa de transmissão de uma conexão USB - principalmente as USB 2.0 e 3.0 - é muito mais rápida que uma unidade de CD/DVD/Blu-Ray. E para usar é simples.


Para baixar, entre no site oficial:
http://unetbootin.sourceforge.net


Se tiver usando alguma distribuição Linux veja se tem no repositório. No Ubuntu tem na Central de Programas. É só procurar por "unebootin" e clicar para instalar. Perceba que após a instalação a Central de Programas diz o caminho para saber em que local está no menu:




Quando instalar abra-o (no Ubuntu vai estar em Aplicativos > Sistema) e escolha a imagem ISO baixada, como na imagem:


Depois de clicar em “OK” é só esperar o processo terminar.
Para dar boot pelo pendrive é só iniciar o computador com ele conectado na entrada USB (se precisar mude a sequência de boot).



Alternativas ao Unetbootin


Pode ser que você não queira usar o Unetbootin (gosto é gosto), então pode-se usar outros programas como o Universal USB Installer (para Windows) ou o próprio criador de LiveUSB do Ubuntu, que fica em Sistema > Administração.


Também pode-se criar um LiveUSB com múltiplos sistemas com o MultiBootUSB:
- http://www.pendrivelinux.com/multiboot-create-a-multiboot-usb-from-linux/ (Linux)
- http://www.pendrivelinux.com/boot-multiple-iso-from-usb-multiboot-usb/ (Windows)

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Venda casada

A Constituição Federal diz no artigo 5º, inciso XXXII: "o Estado proverá, na forma da lei, a defesa do consumidor".


Este artigo, o 5º, aliás, por ser referente à direitos e garantias fundamentais, é uma cláusula pétrea da Constituição, ou seja, como diz no artigo 60 (§ 4, II), não é objeto de deliberação.


Foi por meio disto, com a ideia de equilibrar as relações entre empresariado, detentor do poder econômico, e consumidor, que surgiu o Código de Defesa do Consumidor (CDC).


No artigo 39, inciso I, do CDC, expressa claramente: "É vedado ao fornecedor de produtos e serviços, dentre outras práticas abusivas, condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos".


Apesar da existência da lei, e desta ser justa e essencial para tornar mais equilibrada as relações de comércio, e ainda existir sansão rigorosa tanto pecuniária quanto de reclusão, a prática da venda casada existe comumente e até mesmo sem acanhamento dos fornecedores dos produtos ou serviço.


Mas antes de continuar é preciso entender quando existe venda casada, pois nem tudo que é vendido em conjunto pode ser qualificado como prática abusiva.


Para ter uma ideia, imagine você indo a um banco para pedir um empréstimo. Quando você pode o funcionário condiciona a aprovação se e somente se você fizer um seguro de vida.
O empréstimo é uma coisa, o seguro outra. Não há relação entre o produto/serviço.


É fácil de identificar a relação de desvantagem do consumidor. Mas as coisas nem sempre são simples. Veja o porque.


O PROCON do Rio de Janeiro entrou com uma representação na justiça contra o Cinermark por venda casada de pipoca e o serviço da empresa.


A rede de cinemas vende pipocas para seus clientes comerem durante as sessões, no entanto as pessoas eram proibidas de levarem comida de casa.


Parece algo muito injusto mas não parece, num primeiro momento, uma venda casada, já que a venda de ingressos não é condicionada com a compra da pipoca. Mas não foi o que, sabiamente, o STJ achou.



O Cinemark alegou o declarado acima, e ainda disse que impedir é ferir a livre iniciativa. Mas não se trata disso pois há um claro abuso e em sua decisão o STJ declarou venda casada: "A denominada 'venda casada', sob esse enfoque, tem como ratio essendi da vedação a proibição imposta ao fornecer de, utilizando de sua superioridade econômica ou técnica, opor-se à liberdade de escolha do consumidor entre os produtos e serviços de qualidade satisfatório e preços competitivos". E ainda: "A prática abusiva revela-se patente se a empresa cinematográfica permitir a entra de produtos adquiridos na suas dependências e interdita o adquirido alhures, engendrando por via oblíqua a cognominada 'venda casada', interdiçõ inextensível ao estabelecimento cuja venda de produtos alimentícios constituiu a essência da sua atividade comercial como, verbi gratia, os bares e restaurantes".


Em resumo, a entrada com a pipoca somente do Cinemark impedia o consumidor de ter opções de escolha, e em conjunto com o fato da venda de alimentos não ser fonte de recursos essenciais para o negócio, caracterizava venda casada de um produto com um serviço.


Mas agora, e quando você vai comprar um computador? Seria venda casada do equipamento e dos softwares que com ele vem?


Eu realmente acho muito confuso. Eu já manifestei que acho venda casada, depois já falei que não acho, mas nos últimos tempos pensei melhor e acho que o caso concreto deve ser interpretado, mas na maioria das vezes a venda casada está caracterizada, lesando o consumidor.


Quando falei que a prática de vender um computador com sistema operacional não era venda casada, argumentei que a "ideia computador" era um equipamento já pensado com um conjunto de produtos.


Pra entender melhor, imagine um equipamento home theater. Ele consiste basicamente (sem ser técnico) de um aparelho de DVD com um conjunto de caixas de som. Seria então venda casada do aparelho de DVD com as caixas de som? Ou mesmo só dos conjuntos de caixas, já que são várias? Creio que não, pois a ideia "home theater" é justamente essa. Separadamente os produtos seriam outros, perdendo a característica do produto que o fabricante que dar.


Então a "ideia computador" seria o conjunto de equipamento e sistema operacional, certo? Sim e não.


O computador só funciona se tiver um sistema operacional, mas a ideia do computador é totalmente diferente da ideia do home theater falado acima. O equipamento computador existe por si só e o sistema operacional também. Apesar de somente o computador funcionar com o sistema, o produto é um, e o produto sistema é outro. É como um aparelho tocador de DVD, que só funciona ligado à TV e com um disco dentro. O aparelho, a TV e o disco são produtos interligados, necessários, mas distintos.


Pense. Não se pode dizer que um carro tem venda casada com os pneus. O carro só funciona com os pneus e a "ideia carro" está ligada aos pneus.


Um carro de luxo, que vem equipado com produtos de inúmeras marcas, tem a "ideia carro de luxo", um produto que vem acessórios já inclusos. Além disso, apesar de não ser o motivo, qualquer equipamento tem um valor insignificante no valor final do produto, ao contrário de um computador.


E tem mais um porém. Quando você compra um produto como a "ideia home theater" ou a "ideia carro", o produto inteiro é um só.


Então, além da "ideia computador" já estar esclarecida mais acima, vem esse contra a venda de computadores com o sistema operacional, pois a montadora do computador não se responsabiliza na grande e quase absoluta maioria das vezes pelo sistema operacional. Os territórios entre sistema e equipamento está muito bem delimitados.


Mas apesar de tudo que foi explicado, é mais que comum a prática. Você compra o computador e não tem como escolher o sistema. Você compra o computador e tem que levar o sistema que a fornecedora do equipamento quer. Você compra o computador e é obrigado a pagar pelo sistema, obrigado a pagar um valor que muitas vezes não é nem visível ao consumidor.


Veja um exemplo em uma loja online, onde é possível até mesmo montar seu equipamento, mas no entanto não é possível escolher o sistema que você deseja:



E o pior acontece. A loja até mesmo obriga a levar um software desnecessário, o Works, que pode custa em lojas até R$120:



Sobre o caso acima, mandei uma denúncia para o Ministério Público (você pode mandar a sua para o correspondente do seu estado), que é um órgão que ajuda a proteger os interesses coletivos e difusos. Agora resta esperar (talvez muito).


---- Referências ----

Constituição Federal: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm
Código de Defesa do Consumidor: http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/l8078.htm
Resolução do STJ sobre o caso do Cinemark: http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?tipo_visualizacao=RESUMO&processo=744602&b=ACOR

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A dificuldade de usar o Windows

No texto do começo do mês (clique para ler) citei a dificuldade de aprendizado; de como até no meio científico mudar, sair da inércia, entrar em um novo contexto, por mais fácil que ele seja, é muito difícil. O desconhecido é muito temido e a força do costume é fortíssima - quem não lembra de Rubens Barrichello quando entrou na Williams. A equipe inglesa de Fórmula 1 teve que refazer o carro de Rubinho pois ele é da "velha-guarda" da F1, que sempre correu usando o pé direito para acelerar e frear. Mudar depois de tanto tempo é muito difícil. Só mesmo se fosse extremamente necessário o piloto brasileiro iria reaprender a correr.


No programa do dia 25 do Olhar Digital mostrou justamente isso, a dificuldade normal que as pessoas tem com conceitos desconhecidos. O vídeo mostra duas crianças que sempre usaram Linux e quando tem contato com o Windows estranham, acham difícil de usar. Veja:




Não é a primeira reportagem do gênero do Olhar Digital, exibido na RedeTV!, todo domingo às 15h30, a falar sobre esse tipo de dificuldade. Nesse mês de outubro foi ao ar um teste que fizeram com quem nunca usou Ubuntu. Assista:


Primeira parte: http://olhardigital.uol.com.br/central_de_videos/video_wide.php?id_conteudo=9514
Segunda parte: http://olhardigital.uol.com.br/central_de_videos/video_wide.php?id_conteudo=9561


Essa dificuldade natural que todo ser humano tem em aprender algo novo, algo desconhecido, é que faz muitos errarem ao dizer que certos softwares são difíceis de usar. Muitas pessoas, até empresas, gastam muito, muito dinheiro e deixam de fazer o que seria mais lógico, escolher pelo custo-benefício, porque não conseguem aprender, deixar o costume de lado e aceitar o novo.


Para ver que isso ocorre em todos os lugares, veja o exemplo da justiça no Brasil. A justiça em nossas terras é lenta, mas com o advento da informática o esperado era que ganhasse agilidade, coisa que não aconteceu, e não aconteceu por falta de interesse em investir em tecnologia no judiciário, mas sim por falta de usuário mesmo tendo a tecnologia que serve para facilitar.


De acordo com uma reportagem do Conjur, apenas 2% dos processos que passam pelo STF são eletrônicos. O mais espantoso é ler que muitos juízes nem celular usam. Fica claro que aprender um conceito novo é determinante para o sucesso de algo. Quanto mais radical a mudança, quanto maior a necessidade de um aprendizado, maior é a dificuldade de mudança de uma cultura que está entranhada.



Imagem destacada: capa do filme "Esqueceram de Mim" (Home Alone).

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A liberdade e o software livre

No texto sobre Stallman (leia), falei que o fundador da FSF tinha razão – tinha lógica – ao falar que “liberdade não é liberdade de escolhas”. Parece sem sentido e contraditório, como tinha falado, mas não é.


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Linux; por que a dificuldade de aceitação?

Em umas de suas explicações sobre a dificuldade da mudança de pensamento, Rubem Alves, em seu livro "Filosofia da Ciência. Introdução ao jogo e suas regras", fala sobre o pensamento comum: "A grande maioria está imersa em suas rotinas. Por que haveriam de mudar a tradição se tudo funcionou tão bem até agora?" (p. 173).


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Stallman, o revolucionário

Richard Stallman é talvez a figura mais polêmica no mundo da tecnologia. Amado por alguns e odiado por muitos, muitos até defensores do software livre. Mas como pode alguém que fundou o movimento software livre, autor da GPL (General Public License), fundador da Free Sofware Foundation e criador do GNU, que veio a entrar em simbiose com o kernel Linux, ser odiado até mesmo por pessoas que estão diretamente envolvidas com software livre? A pergunta é simples de responder, seu discurso ferrenho contra os softwares proprietários e seu “anti-Microsoftismo” (mas não só) alarmado aos sete ventos.



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