Stallman, o revolucionário

Richard Stallman é talvez a figura mais polêmica no mundo da tecnologia. Amado por alguns e odiado por muitos, muitos até defensores do software livre. Mas como pode alguém que fundou o movimento software livre, autor da GPL (General Public License), fundador da Free Sofware Foundation e criador do GNU, que veio a entrar em simbiose com o kernel Linux, ser odiado até mesmo por pessoas que estão diretamente envolvidas com software livre? A pergunta é simples de responder, seu discurso ferrenho contra os softwares proprietários e seu “anti-Microsoftismo” (mas não só) alarmado aos sete ventos.




No Software Freedom Day, que aconteceu em Boston no dia 19 de setembro, Stallman criticou duramente Miguel de Icaza, cofundador do Gnome, por estar tomando rumos “estranhos”. Primeiro com o projeto Mono – ferramentas compatíveis com o .NET da Microsoft -, depois com o anúncio de participação na fundação de softwares de código aberto da empresa de Redmound.

Antes disso Richard Stallman já havia causado um estardalhaço ao criticar Linus Torvalds, criador do kernel Linux, dizendo que os valores de Torvalds vão de encontro aos do software livre, e acusar a indústria de tecnologia a praticar uma verdadeira ditadura dos programas proprietários.
Em outra declaração polêmica o criador do GNU e da GPL disse que “liberdade não é liberdade de escolhas”

(e a lógica dele está certa, pois se cada um quisesse ficar preso a uma tecnologia proprietária, exclusiva, não teríamos poder de escolha. Assim inclusive funciona as leis que não permitem fazer o que quiser justamente para preservar a liberdade individual e coletiva).

Pode-se dizer que Richard Stallman é um radical do software livre? Então Stallman estaria jogando contra o avanço do software livre? Não, de maneira nenhuma. Stallman é um ortodoxo, que leva o que acredita a sério. Condenar alguém por isso seria injusto. Até quando ele falou que "liberdade não é liberdade de escolhas" ele está certo. Como? A lógica é simples. Se cada um quisesse ficar preso a uma tecnologia proprietária, exclusiva, não teríamos poder de escolhas, ficando dependente inevitavelmente. Aliás, hoje, mesmo se tivéssemos muitos escolhas, quem domina o mercado decide o que você vai ou não usar através do poder mercado. É por isso que existe certos organismos do Estado, de intervenção, mais eficientes, vale destacar, nos países com maior liberdade econômica.

Stallman é extremamente importante para a manutenção do equilíbrio no mundo do software livre. Se por um lado o software livre nasceu com uma filosofia bem definida, nos moldes de um dever-ser que assemelha a um socialismo tecnológico, o movimento software livre é obrigado a se adaptar ao mundo do ser, do real. Como disse Luiz Fernando Maluf, diretor sênior de estratégias para governo da Sun nas Américas, em uma entrevista à Info, “algumas pessoas acham que a opção pelos sistemas abertos é ideológica; estão completamente enganados: é um modelo de negócios, matemático”. No entanto todos nós sabemos da força do poder econômico, poder capaz de modificar qualquer coisa e fazer um grande número de indivíduos serem manipulados, e esse é o perigo.

Richard Stallman então é peça-chave para, como falei anteriormente, o equilíbrio do mundo do software livre e até manutenção do mesmo. Stallman e seus semelhantes freiam os avanços dos interesses corporativos e faz esses mesmos interesses corporativos fazerem parte do mesmo colaboracionismo do mais puro movimento pró-software livre. Isso promove a continuação da fórmula do desenvolvimento e garante investimentos pesados que geram não só benefícios para todos os consumidores mas inclusive a viabilidade econômica do software livre, tornando num modelo de negócios muito atrativo para empresas explorarem.

O criador da Free Sofware Foundation, então, é fundamental, mesmo com suas excentricidades e fundamentalismo aparentemente cego (aparentemente). Criticar como muitos fazem é não entender todo o contexto e a significância de alguém como ele e dos ideais da filosofia do software livre.

Imagem: Richard Stallman por Thomas Bresson no Wikimedia.org / Creative Commons: http://www.flickr.com/people/36519414@N00

4 comentários:

  1. Essa briga entre a liberdade e a propriedade ainda vai dar muito o que falar, esperemos o próximo ano (que promete!). Sorte ae no seu blog Guilherme! Sorte também no seu site (foi por ele que passei a usar Linux, valeu por abrir minha mente mais um pouco!).

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  2. Cara na boa, tu é um lixo, escreber sobre um nazista porco como este só pode ser outro porco escrevendo lixos.Apaga ai pois nem homem tu é.Lixo

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  3. [...] e Comportamento, Software Livre e Código-Aberto Tweet this!No texto sobre Stallman (leia), falei que o fundador da FSF tinha razão – tinha lógica – ao falar que “liberdade não é [...]

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  4. Certamente deve ter faltado oxigênio em seu cérebro, só pode...





    Meu caro, para falar do RMS tem que fazer igual ou melhor.

    Um cidadão que por motivos pessoais simplesmente não aceitava os padrões impostos pelos desenvolvedores, lança-se ao mundo com um novo conceito de desenvolvimento de programas. Sem contar o fato que esta nova ideia simplesmente pegou, cresce a cada dia e em algum tempo será uma grande opção aos sistemas e utilitários proprietários.



    Ele somente plantou a semente, os frutos estão aparecendo agora.



    Mesmo alguns adeptos ao software livre não concorda plenamente com Stallman, pois este gostaria de uma liberdade total e que o software não tivesse custo, enquanto outros ainda se conformam com a ideia de cobrar pelo trabalho, mas mesmo assim, os programas ainda continuam com seus fontes disponíveis e passivos de adaptações.





    Uma outra questão: não acredito que você, em seu computador usando sistemas pagos e fechados, não utilize alguma aplicação gratuita e aberta. Se não, pelo menos 99 por cento dos sites que você deve frequentar utiliza como servidor web o Apache, um outro software gratuito e open source.



    Criticar é válido, vivemos em uma democracia. Porém, devemos ponderar nossas palavras!

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