Quando Mark Shuttleworth fala mais alto

A pouco estava lendo o Meio Bit sobre o falatório que algumas mudanças do Ubuntu gerou – no caso, a mudança dos botões da barra da janela. Isso me fez escrever aqui sobre a notícia.

Mark Shuttleworth, idealizador do Ubuntu, deixou de ser CEO da Canonical no começo do mês, para se dedicar ao planejamento, design e servir como ombudsman tanto de clientes/empresas como da comunidade Ubuntu, comentou na seção “bugs” do Launchpad uma frase que fora de contexto pode causar muita polêmica.
"No. This is not a democracy. Good feedback, good data, are welcome. But we are not voting on design decisions."

Se lermos a parte do comentário “Isto não é uma democracia” e “não vamos votar em decisões de design” parece uma insanidade se pensarmos em estratégia empresarial, já que a Canonical conta e depende da parceria entre empresa-comunidade.


Mas como eu disse antes, só se estiver fora de contexto pode gerar confusão. Vou explicar por partes.


Nos comentários que fiz no Meio Bit, comentei que democracia não é só ouvir a todos. Inclusive concordo com Rousseau quando disse, em “Contrato Social”, que há uma diferença entre vontade da maioria e vontade geral. Uma é somente a soma de interesses privados, a outra é o interesse público. Comentei até no comentário, que não só no Brasil, como também na maioria das constituições do ocidente, existem mecanismos, chamados aqui de cláusulas pétreas, que estão imunes a opinião popular. Então, contextualizando, adaptando ao assunto, quero dizer que nem sempre a comunidade livre tem direito de exigir algo.  Sua opinião é importante, mas não pense em algo para seu agrado, mas algo para o bem comum.


Eu mesmo não gostei dos botões das janelas do Ubuntu 10.04, ainda não lançado, no canto esquerdo. Mas ouve uma ponderação, certamente, entre os malefícios iniciais da mudança e no impacto positivo futuro que a mudança pode vir a trazer, mesmo que sozinho essa mudança não cause aparentemente nada de relativo. E como o próprio Shuttleworth disse, a equipe que coordena e trabalha no projeto Ubuntu está lá por mérito, por suas capacidades, então obviamente eles pensam em cada passo que o projeto vai dar. Esse botões certamente foram pensados como um passo a mais para o objetivo final.


O projeto Ubuntu é de grande interesse comercial da Canonical. Como eu disse, certamente houve um longo e profundo sopesamento entre prejuízos e benefícios, pensados estrategicamente dentro de cenários futuros. Quando gente capacitada (não é isso seja um dogma, mas pelo menos é alguma coisa) consegue chegar a uma conclusão que vai de encontro até à opinião de um número razoável de pessoas, é provável até que essa decisão beneficie os próprios usuários que não estão satisfeitos.


Mark disse que isto não é democracia, mas esta decisão poderia ser até democrata. A própria democracia toma decisões polêmicas mas de interesse geral. Na comunidade livre, o qual ajuda a desenvolver o Ubuntu, um passo que sirva para enraizar os propósitos da comunidade, deve ser levado em consideração.


A única ressalva é quanto se era realmente necessário fazer certos tipos de comentários. Mark Shuttleworth poderia dizer a mesma coisa de modo diferente. Economizaria muitas explicações se os comentários caírem na boca de flammers, trolls e afins para desestabilizar da comunidade livre do Ubuntu (acreditem, existe gente para tudo, até pessoas que gostam de prejudicar algo que beneficiam elas mesmo).

2 comentários:

  1. Olá tudo bem,interessante o post. mas vim aqui pra dizer que eu já li seus comentários no GUIA DO PC e no YR (foi de lá que eu cheguei aqui. rs). acho que eu estou ficando muito tempo na net.to até reconhecendo pessoas em diferentes sitios. rsrsrs[]s

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  2. Internet é um lugar pequeno mesmo hehehe

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