Mandriva, a história e o boato de venda [atualizado]

Saiu nas últimas semanas no mundo inteiro uma péssima notícia para o mundo Linux. Mandriva estaria em uma situação difícil e estaria disposta à venda ou mesmo o fechamento.


De acordo com o Guia do PC/Softpedia, duas empresas estariam interessadas na Mandriva, a Lightapp, empresa com sede no Reino Unido, e a Linagora, empresa parisiense.


Mas agora, como a Mandriva chegou nessa situação?


Para quem não conhece a história, a Mandriva começou com a fusão da francesa Mandrake com a brasileira Conectiva.


A Mandrake estava em situação difícil desde muito tempo. Para ter uma ideia, a empresas teve perdas líquidas de quase 2 milhões no ano fiscal de 2002/2003. E em 2003 pediu concordata para não entrar em processo de falência. [1]


Somente no ano seguinte, reestruturando-se, focando seus negócios no Linux e conseguindo contratos grandes com o governo francês (que na época passou do Windows NT para o Mandrake Linux), passou a ter lucro, com um lucro líquido de 1,3 milhão de Euros no ano fiscal seguinte (com primeiro trimestre positivo desde 1999). Mas apesar de tudo ainda possuía dívidas de 23 milhões. [1]


As perspectivas de lucros crescentes, resultantes de clientes como Carrefour, France Telecom, HP, Macif, Total, Verizon, ministérios do governo francês e outros, e a forte posição da Mandrakesoft no mercado europeu (Mandrake Linux era a distribuição dominante) possibilitaram captação de recursos no mercado para o próximo passo, a fusão com a Conectiva. [2]


A brasileira Conectiva, fundada em 1995 em Curitiba, era referência no Brasil e na América Latina. No seu último ano fiscal ela já era uma empresa rentável, com lucros de quase 2 milhões de Euros. A empresa brasileira tinha grandes clientes, como HSBC, Casas Bahia, IBM, HP, Siemens, White Martins-Praxair, Generali, Banrisul e as forças armadas. [3]


Em 2005, então, a Conectiva vende suas participações à Mandrake. Agora a empresa passa a se chamar Mandriva, ter sede administrativa em Paris e centro de desenvolvimento em Curitiba.


Depois da fusão a empresa voltou a ter problemas financeiros, e a grande concorrência com outras fornecedoras de produtos e serviços, como Red Hat, Novell, e até a Canonical, fez a Mandriva perder importantes clientes - as Casas Bahia e o Banrisul são exemplo. Enquanto a loja de varejos tornou-se cliente Novell, o Banrisul preferiu gastar mais não atualizar e trocou o sistema Conectiva para Windows. [4] [5]


Agora vamos ver o que o destino reserva para a Mandriva.


Atualizado: Mandriva foi vendida para um grupo russo, que já demitiu funcionários de Paris e contratou outros na Rússia. No Brasil as operações procedem, com o grupo contratando funcionários no Brasil.


---

[1]:
- http://web.archive.org/web/20041205180914/www.mandrakesoft.com/company/investors/newsletter/sn041201
- http://www.theregister.co.uk/2004/03/31/mandrakesoft_exits_bankruptcy_protection/
- http://info.abril.com.br/aberto/infonews/012003/15012003-21.shl

[2] - http://web.archive.org/web/20041215052346/www.mandrakesoft.com/company/about/references

[3] - http://www.serpro.gov.br/noticias-antigas/noticias-2005-1/20050225_02

[4]:
- http://www.novell.com/pt-br/success/casas_bahia.html
- http://info.abril.com.br/professional/windows/o-banrisul-trai-o-pinguim.shtml

[5] - http://info.abril.com.br/aberto/infonews/112008/11112008-22.shl

0 comentários: