Politicagem, incompetência, má gestão ou "birrinha"?

Esses dias saiu a notícia que o governo alemão está trocando o sistema operacional baseado no kernel Linux pelo sistema proprietário da Microsoft, o Windows. Com isso vai pelo buraco o plano de migração para o pinguim. A alegação do governo alemão é que a troca deve-se, primeiro, por incompatibilidade de documentos de escritório, e segundo, por reclamações dos usuários.


Vamos rever os pontos. Que documentos estamos tratando? Se for um específico de alguns órgãos, o problema está nos programas usados. Isso acontece na transição. É normal e visto no planejamento de migração. Se for documentos de pacotes de escritório, isso não existe, pois o padrão adotado é universal, o ODF.


Se pegar as reclamações de usabilidade dos usuários, fica fácil de ver que inexiste treinamento básico. Treinamento constante é essencial para aumentar a produtividade, (ttanto no setor público quanto no privado) e se há reclamações verdadeiras, treinamentos não estão sendo feitos, o que é um erro grotesco. Mais grotesco do que voltar para o Windows XP! Sim! O sistema semi-morto da Microsoft.


A migração não era somente para diminuir custos, economizando dinheiro público, mas também para fins estratégicos. Usar Linux é de vital importância para independência tecnológica, soberania nacional e criação de know-how no desenvolvimento dentro do próprio país. Linux, como outros softwares livres, possibilitam isso.


O que parece estar ocorrendo é o que eu já disse no caso de Maringá. Há uma falta de visão de cenários futuros, uma falta de planejamento político-estratégico que vise o interesse público.


Podemos perceber ingerência em outros lugares, como na prefeitura de Santo André, em São Paulo. A cidade paulista ficou 1 ano com computadores novos parados simplesmente porque a prefeitura se recusava aceitar computadores com Linux. O órgão municipal publicou uma nota absurda, mentirosa, muito cara-de-pau, por sinal, dizendo que o sistema aberto não era compatível com o OpenOffice e Mozilla Firefox, programas que são usados pela prefeitura em seus computadores com Windows.


Pela nota de Santo André, podemos ver o quão perdidos estão. Inventaram uma mentira grotesca para justificar a compra, com dinheiro público, de um sistema no qual é muito bem substituído pelo Linux. Deixaram a população 1 ano sem computadores na biblioteca municipal somente por... incompetência, má gestão ou mesmo politicamente ou "birrinha". Não tem outras alternativas para justificar.


A velha incompetência e má gestão já conhecemos. Geralmente a falta de planejamento, como já expliquei, é o principal entrave no mundo (tanto no setor público quanto no privado). No caso de Santo André, e de outros lugares, por que não?, dá para ter dúvidas se não vem da politicagem - fazer uma nova licitação para algo que já tem? Quem ganha com isso? - ou de "birrinha", pois quem governava anteriormente, responsável pela política de software livre, era de um partido de oposição.
E agora prefeito? Como explicar isso?


Pensando em tudo isso dá vontade de gritar: quando nossos governantes vão aprender a gerir a máquina pública para fazer valer nossos interesses?

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Futuro do MeeGo

Stephen Elop realmente fez o que parecia irracional. Jogou fora o dinheiro e tempo investido no MeeGo, arrumou briga com os próprios funcionários, deu um chute na parceria com a Intel e na chance de ter um sistema diferenciado e exclusivo, com o poder e legado Linux (vantagem essa que foi muito bem aproveitada pela Google com o Android e está sendo com o WebOS da HP) e preferiu perder independência no desenvolvimento do software e até hardware. O atual CEO da Nokia, Elop, ex-funcionário da Microsoft (ele ainda tem muitas ações de sua antiga empresa), e conhecido por vender a Macromedia para Adobe, pareceu ter dado o tiro final no MeeGo e mandado para o cemitério dos vaporware. No entanto não é essa a opinião da Intel.



Suzy Ramirez, porta-voz da Intel, disse que a empresa está muito decepcionada com a decisão da Nokia. Em entrevista ao The Register Ramirez confirmou que os planos para o MeeGo vão muito mais além de um sistema para smartphones, sendo já a plataforma escolhida, por exemplo, pela GENIVI (grupo que conta com Intel, BMW, GM, ARM, Peugeot, Hyundai, Renault, entro outros) para equipar o sistema inteligente de carros.


Nos netbooks a Fujitsu anunciou que MeeGo será o sistema padrão. E vendo a lista de apoiares do sistema, teremos outras distribuições OEM com base no MeeGo vindo no futuro: http://meegozone.com/partners/


Mas a principal aposta da Intel será mesmo na nova fronteira tecnológica, os tablets. Veja a última demonstração do sistema em ação:








Vendo tudo isso, e lembrando que a Intel irá entrar no segmento dos portáteis com uma plataforma de hardware energeticamente eficiente concorrendo com a ARM, alguém aposta a morte do MeeGo?

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Com MeeGo ou sem MeeGo?

A boataria anda solta nos últimos dias. De acordo com informações a Nokia estaria por largar o MeeGo, o sistema Linux desenvolvido em parceria com a Intel, vindo da fusão entre Maemo e Moblin, antes mesmo de lançar algum aparelho com o novo sistema operacional. E no lugar do sistema livre a empresa finlandesa estaria por adotar o sistema fechado e pago da Microsoft, o Windows Phone 7.


Não bastasse isso, o CEO da Nokia, Stephen Elop, mostrou despreparo quando deu um chute na empresa, afirmando publicamente que a Nokia é uma plataforma de petróleo em chamas.


Elop, que acabou de chegar vindo da Microsoft, fez bem em abrir os olhos, vendo que o mercado da Nokia está diminuindo de maneira incrível nos últimos anos, mas parece se comportar como uma louca medrosa que acabará de ver uma grande ratazana.
Stephen Elop, e outros, parecem achar que o barco está afundando, a empresa indo a falência, coisa que não está. A Nokia ainda é líder de vendas e tem um valor maior, mesmo tendo perdido mais da metade do que valia, que a Sony, Dell, Adobe e tantas outras empresas concorrentes ou não.


Com o gigantismo da Nokia ainda dá sim de voltar a dominar e ditar tendências de maneira fácil, mas é preciso arrumar a casa, mudar o que está prejudicando a Nokia, ou seja, o comando incompetente que está gerindo a nave em queda.




MeeGo é o sucessor do Symbian e do Maemo em smartphones da empresa. Ele veio da fusão do Maemo, que estava presente em alguns tablets da Nokia, e do Moblin, plataforma da Intel. O projeto ainda é apoiado pela Fundação Linux.


Há tempos já se sabe que o Symbian não é apropriado para smartphones e esse é o motivo da existência do MeeGo. Com o MeeGo a Nokia faria o mesmo que a Google fez. Pegar o poderoso kernel Linux e faz um sistema para dispositivos portáteis. A vantagem de se usar Linux é se beneficiar de um kernel com décadas de uso, estável, já reconhecido e com um ciclo de inovações incrível, e economizar muito, já que os custos são diluídos entre os desenvolvedores.


A parceria com a Intel é pontual. A Intel pretende entrar no mercado de portáteis, sob domínio da arquitetura ARM, com processadores de grande poder e baixo consumo. Espera-se que a empresa californiana lance seu primeiro exemplar da nova plataforma ainda esse semestre, em um smartphone da Nokia.



CEO louco!


Muitos querem que a Nokia use o Android, o sistema Linux da Google. Outros querem esquecido Microsoft WP7. Aparentemente o Stephen Elop também quer deixar o MeeGo de lado. Os rumores é que Elop queira adotar o produto de sua antiga empresa, o Microsoft WP7.


Vale lembrar uma coisa. Uma empresa grande, que quer e tem possibilidade de ditar os rumos do mercado, não pode se dar ao luxo de ser comum. O que diferencia a Apple e RIM, por exemplo, não é somente o aparelho iPhone ou BlackBerry, mas sim o que interage com o usuário, que é o sistema operacional. A própria Nokia está vendo seu império cair aos poucos por conta da falta de um novo sistema próprio para smartphones.


MeeGo então é estratégico. Faz ela ter um sistema poderoso, com custos de desenvolvimento reduzido (bem longe dos 4 bilhões que a Nokia gasta no Symbian) e exclusivo, como faz a Apple, RIM e fará a HP com seu WebOS.


Se Elop deixar abandonar o MeeGo, além de perder a parceria com a Intel, e com outras tantas empresas que apoiam o MeeGo, que pode ser muito bom para o futuro, e do tempo de dinheiro gasto com o MeeGo, poderá jogar mais coisas foras. Deixar o MeeGo de lado é não ter visão de cenários, é deixar a Nokia voltar para o mesmo nível de dezenas de outras empresas. Dar prioridade ao MeeGo é ser ousado. Coisa que a empresa não fez nos últimos anos. E quem não ousa não faz sucesso.


Mas não me espantaria que Stephen Elop optasse por deixar o MeeGo de vez. Elop já se mostrou despreparado ao falar, como disse mais acima, que a Nokia é uma plataforma de petróleo de chamas, criando uma atmosfera ruim, de desespero, espantando investidores imediatos, causando preocupação pública sem necessidade (poderia ele guardar para si e fazer seu trabalho, fazer o que tem que ser feito, que é sair da inércia).



MeeGo. Muito mais além de smartphones


Além de smartphones, MeeGo entrará na corrida dos netbooks e tablets, com a nova plataforma da Intel, claro. Para quem não viu em ação, veja:







Sexta, amanhã, vamos saber


Amanhã, sexta-feira, dia 11, a Nokia fará um pronunciamento, neste site, para definir estratégias. Se anunciar parceria com a Microsoft, eles irão ganhar, obviamente, pois é do interesse da Microsoft tentar uma sobre-vida em um mercado que ela não consegue penetrar como o desejado. Com parceria com uma empresa gigante no mercado, o sistema da empresa de Redmond poderá ganhar mais espaço, mas público. Mas quem não percebeu, a possibilidade de ganho é maior para a Microsoft que para a Nokia.

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Lutas em rede através da rede (!) e o controle da internet

Todos sabem dos acontecimentos recentes no Oriente Médio e no Norte da África. Essas regiões estão em ebulição, fazendo cair governos autoritários, como aconteceu na Tunísia, ou preste a fomentar uma reforma (laica) como nunca vista nos últimos tempos.

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