Lutas em rede através da rede (!) e o controle da internet

Todos sabem dos acontecimentos recentes no Oriente Médio e no Norte da África. Essas regiões estão em ebulição, fazendo cair governos autoritários, como aconteceu na Tunísia, ou preste a fomentar uma reforma (laica) como nunca vista nos últimos tempos.

Todo esse levante, por coincidência, ou não, foi e está sendo coerente com o objetivo, a busca pela democracia, pois tudo está acontecendo nos moldes de guerrilha, das lutas em rede e até da inteligência em enxame, como nas definições de Michael Hardt¹ e Antonio Negri², no livro "Multidão"³. Tudo acontece sem uma hierarquia, sem um controle central, numa autonomia, sem até controle celular à Revolução Cubana, e em uma democracia plena, no qual todos convergem para um mesmo objetivo; e acrescenta-se um cerne de produção biopolítica, ou seja, com conteúdo imaterial, com ideais econômicos e sociais.

Por essas características, e tudo que está acontecendo no mundo árabe, principalmente no Egito, até noticiou-se que “esta é uma revolução pelo Twitter e pelo Facebook”.



Apesar de realmente não ser uma legítima revolução digital, como bem mostrou a Carta Capital, a força da rede, da web, dos meios binários, é enorme, tão enorme que mesmo tendo um contingente interconectado baixo o presidente (que está há 30 anos no poder) Hosni Mubarak bloqueou a Internet e os celulares no país, com um custo milionário. Fez-se quase o mesmo na China, que bloqueou a palavra “Egito” das buscas para não inspirar ninguém contra uma das mais fortes ditaduras do mundo.

O fator estratégico da web, vendo todo o contexto, não é exatamente chamar as massas, ou melhor, a multidão, como definem Hardt e Negri (massas são homogêneas, incoerentes, enquanto a multidão é um conjunto de singularidades sem incoerência, pensante, agindo com lógica e capaz de se governar), mas sim livrar-se da censura, ter informações e ideias, que podemos influenciar outros através do modo mais antigo, do boca-a-boca nas ruas, em casa, nas mesquitas, que é o que aconteceu. Notícias dos vizinhos, irmãos de religião, atiçaram a multidão.

Vendo tudo o que está acontecendo, de como a internet é estratégica para a multidão, da a humanidade, é de se pensar sobre o controle da rede. Hoje esse controle, a propriedade realmente, pertence aos Estados Unidos. A gestão é feita pelo ICANN, Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números, ligado ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Mesmo com recentes aberturas que permitiram ao mundo que o ICANN agora se reporte não somente ao governo estadunidense, mas a outras potências do mundo, ele ainda é um órgão do governo dos EUA, ou seja, o controle da internet está nas mãos de uma única nação, de uma megapotência que sabemos muito bem, como mostrado recentemente pelo Wikileaks, pode fazer de tudo por seus interesses.

Será que um controle pela ONU, através da União Internacional de Telecomunicações, como já foi sugerido, não evitaríamos problemas futuros?



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(1) Michael Hardt: professor da Universidade de Duke e um dos principais pensadores da esquerda americana.
(2) Antonio Negri: cientista social e filósofo italiano. Nasceu em Pádua, 1933. Membro da Autonomia Operária, foi condenado a 13 anos de prisão. Exilado em Paris por 14 anos, retornou à Itália e, a partir de 1997, cumprir pena em regime semi-aberto na prisão de Rebibbia, em Roma.
(3) Multidão. Guerra e democracia na era do Império. HARDT, Michael. NEGRI, Antonio. Editora Record. 2005.

Um comentário:

  1. Ola. pode me ajudar a colocar esse negocio de postagens recentes? eu vi sua resposta e achei o site similar ao linkwithin mais nao consigo usar.

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