Bon Jovi é contra a música

Jon Bon Jovi, bem como outros astros da música, como Bono Vox, é contra a música. Isso mesmo! Quem é contra o modelo digital, da música de fácil acesso via web, é contra a música e tudo o que ela representa!


Bono, ano passado, disse que o compartilhamento digital é um "Robin Hood às avessas". Bono deve está perdido, sem dúvidas, pois o compartilhamento digital é democrático, "universalista", e não elitista, como o velho e morto sistema de mídias físicas, caro e dificultador da difusão da cultura.


Bon Jovi falou em entrevista que Jobs matou a música (absurdo esse que falarei depois), e ridicularizou os jovens, dizendo uma bizarra declaração: "Os jovens de hoje perderam toda aquela mágica de colocarem seus fones de ouvido, aumentarem o volume, de apreciarem a arte da capa e de se perderem num disco. Não existe mais o ritual de se guardar o dinheiro da mesada e se escolher um disco baseado em sua capa ou de imaginar como um disco iria soar olhando sua arte".


Bon Jovi tem razão. Agora o ritual de guardar dinheiro e se deliciar com um único bolachão se foi, agora é mais democrático e muitos tem acesso que antes era impossível, muitos tem acessos a músicas, cantores, bandas, ritmos, culturas, que antes era impensável, inalcançável, deixado de lado por questões obvias. Quantas bandas não surgiram, remando contra a forma das grandes corporações, que dizem quem pode ou não aparecer para o público, com o fácil acesso a milenar arte? O acesso à música é de tal importância para o incremento da cultura nacional, do desenvolvimento humano, que a propriedade do autor sobre ela é limitada e com tempo contado, e isso positivado em Constituições e/ou no plano infraconstitucional.


Quem está preocupado com o potencial perigo das mídias digitais tem motivo. É só pensar. Nunca se ouviu tanto música. Shows geram cada vez mais receitas, indo para todas as partes do mundo, ganhando milhões, e milhões em diversas moedas. Artistas ganham cada vez mais com publicidade e licenciamento de seus produtos, de suas criações e de sua imagem. Quem reclama então? Quem reclama é que tem medo de cair no ostracismo (não estou falando de Bon Jovi, longe disso). Com a web é assim. Possibilita a ebulição de artistas e figuras icônicas serão efêmeras (a arte agradece). Quem reclama tem medo de perder dinheiro, não com seu produto, o produto artístico, mas com velhos meios que prendem a música, velhas amarras da indústria que querem transformar a arte não só em dinheiro, mas em rios de dinheiro. Veja as gravadoras. Empresas gigantes, gigantes, que mandam e desmandam, que conseguem derrubar qualquer um artista que se rebela. É só lembrar do Prince, ou o artista que anteriormente conhecido como Prince, que simplesmente teve que brigar na justiça com a Warner pelos direitos de uma música (como se uma empresa fosse um ente dotado de vida, capaz de criar algo e tomar posse dessa criação).


É como Chris Anderson disse, a música vai bem, os CDs vão mal. Como consequência, a indústria perde dinheiro, um pouco de seu patrimônio incalculável. Isso é muito preocupante, principalmente para os acionistas dessas empresas, que compram equipes de Fórmula 1 e viagens espaciais, e tem que concorrer com os anões da indústria, que agora podem usar meios baratos para alavancar novos artistas.


E tem mais. Tudo isso não trata-se somente de compartilhamento "pirata", longe disso. O difusão grátis ajudou a propagar a arte sim, não há o que discutir. Mas isso ainda é muito nebuloso o debate sobre o tema. O que tem que se pensar é que o fácil acesso mudou os rumos da indústria. Bon Jovi disse que Jobs matou a música. Bon Jovi está errado. Jobs conseguiu transformar a música digital, que antes era basicamente grátis, em algo rentável, ou seja, deu sobrevida a um modelo de venda direta da criação.


O resumo de tudo é simples. Quem é a favor do antigo modelo, é contra a música, contra a arte, contra qualquer possibilidade de democratização da cultura. Espero que no futuro o acesso torna-se mais fácil, sem custos, e artistas consigam emergir e viver muito bem baseado no seu trabalho, de shows, da sua imagem, como já fazem muitos por aí, e que o lado egoísta da industria da música perca seu poder (já passou da hora de poucos bon vivants enriquecerem pelo trabalho criativo de muitos).


ATUALIZADO (12 de Abril):


Reportagem do Estadão sobre o assunto:
http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/2011/04/11/compartilhar-musica-nao-afeta-renda-dos-autores-indica-estudo/


Imagem destacada: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vynil_record.jpg

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[Dica] Organize sua vida com o Rainlendar

Rainlendar é um programa que adiciona um calendário no seu desktop. Com ele você organiza seu dia de maneira fácil. E ao contrário de serviços com o Google Agenda (Google Calendar) você não vai precisar ir até sua agenda, pois com ele estampado na sua tela (com possibilidade de colocar alarmes) você realmente sempre vê quais seus compromissos.



Baixando e instalando


Entre no site do Rainlendar: http://www.rainlendar.net


Se usa o Ubuntu ou outro derivado Debian, como Mint, Satux, Insigne, Big Linux, baixe o pacote .deb e dê 2 cliques para instalar.



Se estiver usando outra distribuição que não use pacotes .deb, baixe a versão compactada e extraia. Depois, pelo Terminal (Console ou Konsole) vá até a pasta onde está os arquivos (comando ls mostra o que tem na pasta e o cd seguido pelo nome da pasta faz caminhar) e digite:
./rainlendar2



Usando


Depois de instalar, coloque para iniciar com o sistema. No Ubuntu e outros que usam Gnome é só ir em Sistema > Preferências > Aplicativos de sessão.



Para iniciar por agora (quando iniciar o computador ele irá iniciar sozinho) vá em Aplicativos > Escritório > Rainlendar2 ou dê um Alt+F2 e digite rainlendar2


O programa irá iniciar. Agora é só clicar com botão direito do mouse nele para configurar ou adicionar eventos ou tarefas.




[caption id="attachment_513" align="aligncenter" width="258" caption="Assim que abre pela primeira vez"][/caption]

[caption id="attachment_514" align="aligncenter" width="241" caption="Depois de configurar e acrescentar eventos"][/caption]

Idiomas


Ele já vem em português. Mas caso não consiga detectar o idioma padrão, vá até o site oficial e baixe seu idioma. Para instalar é só clicar e arrastar o idioma para o Rainlendar.



Calendários


É possível acrescentar calendários, como o brasileiro, com todos os feriados oficiais. Ainda não consegui a versão 2011, mas assim que consegui posto aqui.

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