Nova Central de Programas do Ubuntu e o modelo de negócio da Canonical

Como todos sabem (claro, ainda tem os desavisados), distribuições Linux tem o sistema de instalação de programas dos mais fáceis, se não o mais fácil, que existe. Isso acontece graças aos programas e front-ends (interfaces gráficas do programa) que fazem tudo acontecer. Um exemplo disso é a Central de Programas do Ubuntu.


A Central de Programas do Ubuntu é um aplicativo que usa as bases do apt-get, o gerenciador de pacotes padrão de sistemas Debian. O programa da Canonical começou a ser usado exclusivamente no Ubuntu, para tornar tudo mais simples, diferenciando o Synaptic, tendo uma filosofia "quanto menos mais", ou seja, usar o conceito de limpeza de funções para não atrapalhar o usuário comum. Com o passar do tempo até o Debian passou a usar a Central de Programas, para ver como a ideia da Central de Programas do Ubuntu é boa.


Versão após versão do Ubuntu a Central de Programas evolui e os próximos lançamentos prometem dar um salto de qualidade e entrar definitivamente dos planos comerciais da Canonical, como peça-chave da tentativa de se estabelecer como um dos principais sistemas operacionais para desktops (em sentido amplo, incluindo notebooks, netbooks, etc).


Por que falo dessa importância estratégica? Simples. Veja o exemplo da Apple. A empresa de Cupertino tem seus serviços online como iTunes e App Store. É comum pensar: "Apple tem esses serviços para ganhar dinheiro, claro". Mas na verdade não é bem assim. A Apple ganha realmente dinheiro, mas isso é secundário vendo no contexto.


Vamos analisar alguns dados. Os serviços de músicas e aplicativos da Apple gera uma receita mensal de 313 milhões de Dólares, enquanto o custo de manutenção dos serviços chega a 113 milhões de Dólares. O custo anual é de 1,3 bilhão de Dólares, enquanto a receita chega em torno de 3,7 bilhões. É pouco, principalmente quando se pensa que o iTunes gera mais lucros.
De acordo com dados (2010), dos 428 milhões de Dólares ganho com a App Store, só 108 milhões é revertido em lucro para a Apple. O custo de toda a estrutura é gigante.


Pense agora. O lucro não é grande. Empresas, como a Novell, por exemplo, foram vendidas não porque não gera lucro, mas pelo motivo de não gerar um lucro esperado, muito grande, do tamanho dos planos de uma gigante do setor. Então os planos da Apple não é ganhar dinheiro primeiramente, como tinha falado. Gerar uma receita suficientemente grande é secundário. O principal motivo dos serviços como iTunes e App Store é fazer dos seus produtos, iPhone, iPad, iMac e MacBook serem atrativos para o público e desenvolvedores, pois uma estrutura de aplicativos dão suporte ao principal produto físico, tornando-os mais fortes no mercado.


E talvez esse seja o plano da Canonical com seus serviços para o Ubuntu, como Ubuntu One Music Store, Ubuntu One e a Central de Programas. Essa última, agora, sendo melhorada para chamar mais desenvolvedores, gerando uma fauna e flora no Ubuntu nunca vista antes de distribuições Linux para desktop. O resultado pode ser ganhar mais mercado no monopolizado mercado doméstico de PCs.
Se conseguirem, a Canonical pode inclusive ser responsável por conseguir que grande programas de público restrito, como Adobe Photoshop ou mesmo grande jogos comerciais venham para o Linux para PC.


Veja exemplos da possível Central de Programas das próximas versões:





Imagens: OMG! Ubuntu! - http://www.omgubuntu.co.uk/2011/06/the-new-ubuntu-software-centre-mock-ups-hint-at-great-things-to-come/



ATUALIZAÇÃO:


Imagens recentes da provável Central de Programas:
http://sinapseslivres.com.br/2011/08/rapidinha-nova-central-de-programas-do-ubuntu-toma-forma/

4 comentários:

  1. [...] falei em uma postagem anterior, a Central de Programas é essencial para os planos da Canonical. Com ela a empresa britânica pode [...]

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  2. [...] Hoje o site especialista em Ubuntu, OMG! Ubuntu!, divulgou novas imagens da central de aplicativos. Agora, com um design diferenciado, parece se encaminhar para um lado mais atrativo para os consumidores (e não somente “usuário”).” [referência: sinapseslivres.com.br] [...]

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  3. [...] OMG! Ubuntu! – OMG Ubuntu Leia mais: Sinapeslivres Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial -15.325912 -49.117288 LikeBe the [...]

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  4. [...] modelo de negócio da Apple a música não é sustentável. A empresa lucra, lucra, usa como meio de propagar outros produtos e não dá suporte ao autor, não dá condições para fomentar novas criações, não cria um [...]

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