Medidas do governo para a tecnologia e a educação

Em 2005, com a lei 11196, o governo federal fez o que muitos queriam, desonerou produtos de informática e criou incentivos pra inovação tecnológica. A consequência foi um “boom” nas vendas que possibilitaram que não somente a classe C e D conseguisse ter acesso a um equipamento tão importante, mas também possibilitou que empresas nacionais gerassem empregos aqui no Brasil, fazendo um efeito cascata benéfico para o país.


Em maio, já no governo Dilma, aconteceu algo quase inesperado. Saiu a Medida Provisória 534 modificando o artigo 28 da lei citada anteriormente. Agora a redação passa a ter: “máquinas automáticas de processamento de dados, portáteis, sem teclado, que tenham uma unidade central de processamento com entrada e saída de dados por meio de uma tela sensível ao toque de área superior a 140 cm2 (Tablet PC), classificadas na subposição 8471.41 da Tipi, produzidas no País conforme processo produtivo básico estabelecido pelo Poder Executivo.”


Isso quer dizer exatamente que tablets produzidos no país ganharão incentivos fiscais.


Mas não parou por aí. O governo da primeira presidenta da história desse país também vai incentivar mais a tecnologia desonerando a industria de software. Com a Medida Provisória 540 a alíquota do INSS de 20% cai para zero.


Ainda em mais uma decisão inesperada, o Ministério da Ciência e Tecnologia anunciou bolsas para brasileiros nas principais universidades do mundo. O governo federal irá distribuir 100 mil bolsas que beneficiarão diretamente a produção científica e tecnologia do país.


Tudo isso é fantástico, não é mesmo? Não exatamente. Digo isso pois faltou um pequeno grande (enorme) detalhe: educação de base.



O grande trunfo


Existe um grande componente que faz qualquer país se tornar uma grande potência ou ter sua qualidade de vida aumentada vertiginosamente e seu nome é educação. Se pegarmos dados de nossas universidades vamos perceber que conseguimos colocar muitas entre as melhores do mundo, gerando inovações e sendo referência no meio científico. Mas será que isso significa que estamos investindo em educação? Não, de maneira alguma. Isso é uma grande ilusão. Não somos referência alguma e nossa educação superior não consegue se sustentar. Se conseguimos fazer alguma coisa no nível superior é por simples elitismo. Por coincidência ou não (não, não é, obviamente) quem estuda nas universidades públicas brasileiras é a elite econômica do país e por isso uma desproporção de investimentos como nunca vista no mundo acontece.


Nossas universidades, como USP, UNICAMP, UFSC, UFRJ, UFRGS e tantas outras só conseguem ter algum resultado [1] porque o Brasil faz algo estranhíssimo. Como diz o economista Albert Fishlow, da Universidade de Columbia, ''o Brasil é um dos únicos países no mundo que investem apenas US$ 15 mil por ano para cada aluno em universidades públicas e entre US$ 700 ou US$ 800 (por aluno) em escolas públicas'' [2].


O grande problema é que esse modelo imediatista e elitista é insustentável. Quem está acompanhando os problemas sociais e econômicos - sim, estamos com problemas econômicos mas logo falamos disso - do país sabe que o que causa tudo é um descaso com a educação de base.


Em qualquer pesquisa que entramos, seja da ONU ou da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), estamos sempre entre os últimos no ranking da educação. Isso reflete diretamenta na economia. O “The Economist” afirmou que o que freia o Brasil são os baixos índices educacionais [3]. No desenvolvimento humano, obviamente, o resutado é o mesmo. De acordo com a ONU a educação freia o desenvolvimento humano no Brasil [4].


Se pegar as ações anteriores do governo, de dar incetivos à tecnologia, vai perceber que o efeito é quase nulo a médio e logo prazo. A falta de educação e investimentos de base vai faz o Brasil ficar em uma situação alarmante. Os primeiros sinais no mundo da tecnologia é a falta de profissionais qualificados e da falta de competitividade com o resto do mundo [5].


Vamos pegar um exemplo claro? A Coreia do Sul décadas atrás era só uma promessa, assim como o Brasil. Hoje a Coreia do Sul cresce como ninguém. Samsung, LG, Hyundai, Kia, são todas sulcoreanas, e o pessoal da Ásia também virou referência na qualidade de vida. A Coreia do Sul, que já foi mais pobre que o Brasil décadas atrás, hoje tem um dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano do mundo, com a décima segunda posição do ranking, ficando a frente da Suíça, França, Finlândia, Islândia. E o Brasil? Ficamos atrás da Albânia, do Irã, da Líbia... [6]



Governo retira investimentos e sabota nosso futuro


Sabe o que é pior disso tudo? Estamos entre os piores do mundo em educação. Investimos aproximadamente 3% do orçamento, enquanto a Coreia do Sul, por exemplo, quase 20%. Cerca de 5% é o investimento do PIB em educação, quando o necessário seria no mínimo 10% como quer o Conselho Nacional de Educação (CNE).


E adivinha o que o governo faz? Corte no orçamento da educação! No Orçamento 2010 já diminuiu mais de 1 bilhão e no de 2011 mais de 3 bilhões de Reais!!! [7][8].


Então eu pergunto: Como um país que quer se tornar potência e acabar com a pobreza vai fazer isso sem investir em educação? E pior, diminuindo o orçamento da mesma? Como o governo quer incentivar o desenvolvimento tecnológico somente com medidas rasas, como incentivos fiscais, mas sem investir na base que cria condições para o verdadeiro desenvolvimento?


--- Referências ---

[1] http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071108_uspunicamprankingfn.shtml
[2] http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/04/070424_fishlowbrasilbg.shtml
[3] http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/06/090604_economist_educacao_cq.shtml
[4] http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/11/061108_idh_brasil_crg.shtml
[5] http://cio.uol.com.br/gestao/2011/02/02/governo-fara-censo-para-avaliar-apagao-de-mao-de-obra-de-ti/
[6] http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM366718-7823-EXEMPLO+DE+INVESTIMENTO+EM+EDUCACAO+NA+COREIA+DO+SUL,00.html
[7] http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,educacao-e-pasta-mais-afetada-em-corte-no-orcamento,559625,0.htm
[8] http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2011/02/corte-no-orcamento-nao-vai-afetar-programas-de-educacao-diz-haddad.html

Imagem destacada: Carlos Latuff / http://twitter.com/CarlosLatuff

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LinkedIn quer surrupiar sua imagem para ganhar dinheiro

Saiu no IDG Now! a notícia que há 2 meses o famoso site social para uso profissional, o LinkedIn, mudou a política de privacidade sem avisar ninguém. Agora, com objetivo de ganhar próprios, o LinkedIn vai pegar sua foto e usar em propagandas. Isso mesmo e sabe o que significa? Que a empresa está cometendo um verdadeiro roubo de sua imagem.


Para quem não sabe a imagem é um direito tão importante que está elencado em nossa Constituição Federal, no artigo 5º, inciso X, como Direito Fundamental, protegido inclusive por cláusula pétrea - isso quer dizer que nunca poderá ser objeto de deliberação. Imagem é um direito de personalidade, ou seja, é próprio dos seres humanos, é absoluto e indisponível, não podendo ser vendido, transferido ou renunciar a esse direito. Você é o "dono" de sua imagem, e obrigado a ser "dono", querendo ou não.


Então aí vem a ilegalidade do LinkedIn. Primeiro a empresa está usando um direito personalíssimo por conta própria. A imagem é sua e não da empresa. Sua imagem não está disponível para eles. Mesmo com uma cláusula de serviço é uma cláusula abusiva. Não se pode condicionar um serviço a uma concessão de um direito de personalidade. É um completo absurdo.


Protegidos estamos e podemos sim faze algo. Quem achar, assim como eu, um abuso por parte da empresa estadunidense pode pedir indenização. E não precisa provar danos materiais ou morais. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) lançou uma súmula no qual diz: “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais”. No caso em questão é inegável o fim comercial. A empresa LinkedIn diz claramente, como afirmado pela IDG Now!, que “O LinkedIn pode associar a mensagem de um anunciante com o conteúdo da rede do site para tornar a propaganda mais relevante!”.


E agora LinkedIn? A cara-de-pau vai continuar e a empresa vai continuar a violar um direito de personalidade?



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Imagem destacada: Wikimedia Commons / Johnhttp://commons.wikimedia.org/wiki/File:Panic_button.jpg?uselang=pt-br

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[Dica] Tela de carregamento do Ubuntu (usplash/plymouth): bug com driver de vídeo proprietário, desfazer a mudança depois de ter instalado o Kubuntu ou instalar novas usplash

Há alguns versões a tela de carregamento do Ubuntu mudou e ficou muito bonita. No fundo escuro com o logo antigo agora é roxa com o novo logo da principal distribuição da Canonical. Agora é usado o Plymouth no lugar do antigo usplash. De qualquer forma, vou usar o termo "splash", pois é mais fácil para muitos entenderem.


No entanto quem usa drivers de vídeo proprietários no Ubuntu, acontece algo muito chato. Ao instalar o driver da Nvidia, por exemplo, a tela de carregamento bonitinha desaparece ou fica com uma resolução terrível.


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Felizmente pode-se consertar a falha. Para isso é preciso baixar um script - há outros métodos, mas esse é a forma mais prática. Abra o Terminal e baixe via wget o script:


wget http://launchpadlibrarian.net/57638460/fixplymouth


Agora ou digite chmod +x fixplymouth para torna executável ou vá na sua pasta pessoal, clique com botão direito do mouse, vá em propriedades, na aba permissões e clique para tornar executável.


Agora, no Terminal novamente, digite:


./fixplymouth


Vai ser executado o script e uma série de resoluções compatíveis com sua placa de vídeo vai aparecer. Escolha a que melhor servir seguido pela profundidades de cores, como por exemplo 1024x768-24 ou 1440-900-24 (lembre-se que só é aceita resoluções compatíveis da lista).




Mudando a tela de carregamento (usplash/plymouth) após instalação do Kubuntu-desktop


O bom das distribuições Linux para desktop é a possibilidade de mudar de ambiente gráfico quando se tem vontade. Quando está enjoado do Unity do Ubuntu, é possível mudar para o Gnome puro (Ubuntu Clássico na tela de login). Também possível instalar outros como o KDE, XFCE, LXDE, etc.


No caso do KDE, um dos mais usados ambientes gráficos, é possível instalar no Ubuntu pela Central de Programas. É só procurar por Kubuntu-Desktop e clicar para instalar.


Depois de instalado é possível mudar na tela de login - na instalação do Kubuntu, será perguntado qual padrão dessa tela de login você quer: GDM ou KDM. Se estiver na dúvida, prefira o padrão GDM, pois é padrão do Ubuntu.


Depois de instalado o KDE a tela de carregamento (usplash) vai mudar. Agora será do Kubuntu.


Muita gente não gosta. Mas é possível mudar. Digite no Terminal (ou Konsole, padrão do KDE) e escolha o respectivo número:


sudo update-alternatives --config default.plymouth


Depois:


sudo update-grub2 && sudo update-initramfs -u




Mudando a tela de carregamento padrão


Personalizar é fácil. Pasta escolher alguma tela usplash/plymouth na Central de Programas - procure por playmouth - em sites como KDE-Look:
http://kde-look.org/index.php?xcontentmode=79


Se optar pelo site, coloque o arquivo no diretório
/lib/plymouth/themes/


Use esse guia se não souber modificar diretórios protegidos:
http://sinapseslivres.com.br/guia_linux/configuracoes_extras/#nautilus_gksu


Para mudar é só digitar:


sudo update-alternatives --config default.plymouth


Depois digite:


sudo update-grub2 && sudo update-initramfs -u

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