Apple não é bonitinha, nem romântica e não brilha ao Sol, mas gosta de sangue

Insistir no monopólio do Velho Modelo é ser contra a música mas deixar o novo trabalhar como quiser é também ser contra a criação. Isso resume bem o que está acontecendo no mundo da música.


No final de setembro Pete Townshend, guitarrista do The Who, banda britânica que já está na história do rock mundial, soltou os bichos na Apple e falou que a empresa da Califórnia é um verdadeiro “vampiro digital”.


Apple revolucionou a música quando possibilitou a viabilidade econômica e legal da nova forma de propagação da cultura, os meios digitais. Se era legalmente duvidoso ouvir músicas transferidas pela internet, agora era totalmente legal e muito mais cômoda e até mais barata, já que não se precisa compra um pacote de inteiro para se ouvir só uma música que você queria.


Como falei na postagem “Bon Jovi é contra música”, o meio digital é muito mais democrático, consegue atingir muito mais pessoas, consegue facilitar o acesso à cultura de muitos excluídos. A própria criação e o autor são beneficiados e isso é comprovado.


Mas antes que alguém fale que o músico está velho e não entende “a modernidade”, Townshend não está reclamando do novo modelo, mas sim do modo como a Apple está levando tudo isso. A empresa que é tida como visionária está levando tudo como nas mais terríveis fábricas do começo da Revolução Industrial onde o lucro está acima de tudo, acima até dos seres humanos.


Pete Townshend é contra a Apple quando ela suga até o fim o trabalho artístico de alguém e não dá nada em troca. Como ser a favor quando algo favorece mais o intermediário durante o processo e depois o criador é descartado? Quem é músico se sente abusado, sem dúvida. É por isso que o guitarrista do The Who diz: “Uma pessoa criativa preferiria que sua música fosse roubada, mas aproveitada, do que ignorada. Trata-se de um dilema de toda alma criativa – ele ou ela preferiria passar fome e ser ouvido a comer e ser ignorado.”


No modelo de negócio da Apple a música não é sustentável. A empresa lucra, lucra, usa como meio de propagar outros produtos e não dá suporte ao autor, não dá condições para fomentar novas criações, não cria um celeiro para novos artistas, não dá apoio para que a música seja algo do amanhã, não do somente agora. Nem mesmo o básico o iTunes consegue fazer, que é deixar o autor como o beneficiário de sua criação. Quem aqui acha justo alguém criar e uma empresa explorar a ponto de se beneficiar mais que o próprio criador? Isso, sem dúdivas, é ser um “vampiro digital”.


Espero que essas empresas consigam entender quem são os verdadeiros responsáveis por seus negócios, pois mais cedo ou mais tarde os autores podem virar a mesa, apoiando outro modelo de negócio para a música, ou quem sabe apoiando até retrocessos, já que podem significar algo mais sustentável.


Com informações de: Rolling Stone. http://www.rollingstone.com.br/noticia/pete-townshend-chama-apple-de-vampiro-digital/

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