Jogadores não conseguem entender a declaração da Cruz Vermelha

Parece até como acontece nas discussões sobre sistemas operacionais, quando alguém fala qualquer coisa do outro sistema muitos vem atacar, como insetos famintos, inúmeras vezes sem usar o que tem dentro da caixa craniana. É isso que aconteceu depois do sério e importante debate sobre Direitos Humanos na Cruz Vermelha.

Cruz Vermelha e Crescente Vermelho

No 31º Encontro Internacional da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho (Crescente Vermelho atua nos países Islâmicos), em Genebra, a entidade, que já foi por duas vezes ganhadora do Nobel da Paz, falou sobre as consequências de conflitos armados pelo mundo, das vítimas do tsunami, AIDS, tuberculose, migrações, entre outros assuntos. Louvável, não é verdade? Não - para muitos - quando falam qualquer coisa que chegue perto de uma crítica aos games.

Jogos não criam a violência, não criam monstros, muito pelo contrário. Jogos dão diversão, cria laços de amizades, aprimora a coordenação motora, o raciocínio, estimula a criatividade. Com uma boa base proporcionada por uma estrutura Estatal - educação, saúde, emprego, oportunidade de vida, igualdade, justiça social como um todo - e/ou uma boa criação dos pais, ensinando ética, humanidade, respeito para com os outros, quem joga games pode se tornar mais que uma pessoa exemplar.
No entanto sabemos muito bem que é comum atacarem jogos, como causadores do mal, da violência, de tudo que é ruim. Muitos mal informados, principalmente da mídia, como “pseudoapresentadores” e jornalistas, até políticos, querem ter seus 15 minutos de fama jogando a culpa nos jogos, deixando todo o desleixo do Estado e a péssima criação de muitos pais para escanteio.

Nas controvérsia na Suíça ninguém atacou os games, ninguém também deixou questões importantes para a humanidade de lado e a Cruz Vermelha está sim trabalhando duro em países esquecidos por todos. Mesmo assim, talvez pela primeira vez desde a origem da Cruz Vermelha, na Batalha de Solferino, em 1859, a Cruz Vermelha tenha sido colocada na cruz por tantas pessoas por um motivo tão besta.


Nas discussões da Suíça o objetivo não era atacar os games. Cruz Vermelha é uma entidade séria. Quando falam: "Enquanto o movimento trabalha com determinação para promover em todo o mundo o direito humanitário internacional, há também um público de aproximadamente 600 milhões de jogadores que podem estar violando esses direitos", não se estava criticando os games. O objetivo das declarações e da preocupação é a doutrinação e as consequências do estímulo de uma cultura do “tudo pode na guerra”. Aliás, isso foi comentado por muitos jogadores: “guerra é guerra. Não há regras”. Não, meu caro gamer. Guerra não pode tudo. Existem regras sim que devem ser respeitadas a qualquer custo. Ética e humanidade são próprias das pessoas e não é por causa de um conflito que sua índole vai mudar. Quem muda é porque nunca teve uma índole muito boa. Tortura, mortes covardes, violência contra civis não são permitidas e qualquer comandante, soldado, governante, que tenha consciência vai respeitar as regras universais sobre conflitos armados, pois o respeito às pessoas, a ética própria de cada um, nunca são desligadas, como numa máquina.

Se você acha tudo isso uma besteira você deve ser uma pessoa bem sinistra, sombria, não deve ter ética nenhuma ou mesmo nunca deve ter entendido os efeitos maléficos quando em um conflito ninguém respeita regras mínimas.

Quando a Cruz Vermelha coloca isso em pauta, ela quer discutir, como falei anteriormente, a doutrinação e a propagação da cultura do “tudo pode”. Quando uma produtora faz uma jogo como GTA, sabemos a proposta do game. GTA o objetivo é ser bandido mesmo. Chega até a ser uma parodia. Há polêmica, mas nem é tão preocupante como os simuladores de guerra.

Nos similadores de guerra o jogador nunca, jamais, é estimulado a respeitas os Direitos Humanos, o Direito Internacional ou qualquer regra internacional existente. É muito comum, por exemplo, o jogador ser estimulado a fazer tortura e ficar despreocupado com civis, por exemplo. Vemos em jogos recentes o jogador metralhar e explodir igrejas, mesquitas, ficar a vontade atirando nas edificações civis, ser o juiz e o executor. As leis internacionais são claras quando falam que não é porque existem conflitos em zonas civis, em centros urbanos, que se pode atirar livremente, como bem quiser. É como os grupos de Direitos Humanos Trial e Pro Juventute falaram: "atacar edifícios civis sem limites, a fim de se livrar de todos os inimigos presentes na cidade, que estão em telhados, áreas abertas da cidade, em praças, etc, Sob o DIH (Direito Humanitário Internacional), o fato de que os combatentes estarem presentes em uma cidade não faz toda a cidade um objetivo militar ".

Crimes de guerra existem
Todos deveriam concordar com as declarações da Cruz Vermelha. Todos deveriam se perguntar e pressionar as desenvolvedoras a fazer jogos de guerra que levem em conta os Direitos Humanos e as regras internacionais de conflitos militares. Não se trata de alterar profundamente os jogos para que fiquem diferentes do que são hoje. As sugestões são muito boas, como colocar um sistema de recompensa para o jogador que cumpre as Direitos Humanos e as regras internacionais. Isso já seria tratar da questão, evitando o doutrinamento do “tudo pode”. Mas por que as desenvolvedoras não fazem isso? Talvez até porque nem saibam dessas questões. Então grupos, organizações não-governamentais e organizações internacionais como a Cruz Vermelha tratando de assuntos como esse é muito bom, excelente... não é mesmo?

O que muito vemos infelizmente não é isso. Ninguém liga para isso, para as consequências da cultura da guerra do “guerra é guerra, não há regras”. Qualquer coisa que ouse mexer com o prazer pessoal é achincalhado, até perseguido.
É, algo aconteceu de errado no meio do caminho dessas pessoas. O que vemos hoje em dia são seres antissociais - que não tem nada a ver com timidez ou introspecção, mas não gostar da sociedade mesmo -, que não ligam para os outros, que são egoístas e acima de tudo, politicamente desinformados. Como existem esses seres aos montes, meu Deus! Fica difícil imaginar o futuro da humanidade nas mãos desses que serão as pessoas do amanhã, principalmente quando vemos alguns não entenderem questionamento como da Cruz Vermelha.



Com informações de: UOL Jogos

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