Conheça Santos Dumont, o mais poderoso supercomputador do Brasil e da América Latina

Santos Dumont, ou simplesmente SDumont, como também é conhecido, é o mais poderoso supercomputador do Brasil e América Latina e está no seleto grupo das 500 máquinas com maior poder de processamento no mundo.

Supercomputador Santos Dumont

Origem



O Santos Dumont começou a surgiu após uma longa caminhada diplomática entre Brasil e França. Em 2008, o então presidente Lula, fomentou os primeiros acordos de cooperação tecnológica e científica com o então presidente francês Nicolas Sarkozy.

Em 2011 nasceu em definitivo o projeto, a partir do acordo de intenções. A empresa escolhida para o projeto foi a francesa Bull (agora pertencente à Atos), especialista na construção de sistemas e máquinas de missão crítica e grande processamento.

A Bull é conhecida no meio corporativo e científico, mas ficou famosa no público em geral por estar na lista da ONG Repórteres Sem Fronteira com uma empresa "inimiga da internet" e dos direitos humanos por conta das ligações entre sua subsidiária Amesys e a antiga ditadura de Muammar al-Gaddafi. Mas isso não vem ao caso.

O compromisso firmado entre a Bull e o Ministério da Tecnologia, Ciência e Inovação faz parte do Acordo Brasil-França de Computação de Alto Desemprenho, selado em dezembro de 2013 entre os presidentes François Hollande e Dilma Rousseff.

O acordo previa não só a compra do supercomputador por R$ 60 milhões, mas a transferência de tecnologia, know-how e a instalação de um centro de pesquisas no parque tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um em Petrópolis, no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). O objetivo é colocar o Brasil entre os líderes mundiais da computação científica.

O SDumont foi inaugurado em julho deste ano.




O Santos Dumont


O Santos Dumont é o computador mais rápido do Brasil e da América Latina e o 201º mais rápido do mundo, conforme o ranking do site Top500.

O supercomputador é equipado com 756 nós de computação. Para melhor entender, pense em 756 computadores ligados um no outro. E coisa fica melhor quando vemos a configuração de cada nó.

SDumont
Segundo as especificações oficiais o SDumont é composto por:

-- 504 Nós de computação B710 (thin node), onde cada nó possui:
------ 2 x CPU Intel Xeon E5-2695v2 Ivy Bridge, 2,4GHZ;
------ 24 núcleos (12 por CPU), totalizando de 12.096 núcleos;
------ 64GB DDR3 RAM.

-- 198 Nós de computação B715 (thin node) com GPUs K40, onde cada nó possui:
------ 2 x CPU Intel Xeon E5-2695v2 Ivy Bridge, 2,4GHZ;
------ 24 núcleos (12 por CPU), totalizando de 4.752 núcleos;
------ 64GB DDR3 RAM;
------ 2 x Nvidia Tesla K40 (unidade GPU).

-- 54 Nós de computação B715 (thin node) com co-processadores Xeon Phi, onde cada nó possui:
------ 2 x CPU Intel Xeon E5-2695v2 Ivy Bridge, 2,4GHZ;
------ 24 núcleos (12 por CPU), totalizando de 1.296 núcleos;
------ 64GB DDR3 RAM;
------ 2 x Xeon PHI 7120 (dispositivo MIC).

-- 1 Nó de computação MESCA2 com memória compartilhada de grande capacidade (fat node):
------ 16 x CPU Intel Ivy, 2,4GHZ;
------ 240 núcleos (15 por CPU);
------ 6 TB de RAM.

Os 756 nós do SDumont, são interligados por uma rede de interconexão Infiniband FDR, com as seguintes configurações:
-- 1.944 portas;
-- 58Gb/s e 0,7us por porta;
-- Banda passante total = 112.752 Gb/s;
-- Tempo de transferência de uma mensagem por porta é de 137 milhões de mensagens por segundo.

O sistema operacional é o Red Hat Enterprise Linux rodando com a suíte Bullx SCS. O Linux, é bom lembrar, é o sistema operacional de 498 dos 500 mais poderosos supercomputadores do planeta (UNIX está em 2 supercomputadores e o Windows já não é listado entre os 500).

O supercomputador brasileiro de sangue francês tem uma capacidade de processamento de 1,1 PetaFLOPS, com possibilidade teórica de pico de 3,4 PetaFLOPS. Poderia rodar Crysis muito bem.

O Santos Dumont pesa 15 toneladas, ocupa uma área de 380m² e consome 1 MWh de energia. São R$ 500 mil por mês na conta de luz.

Instalações externas
Mas todo o investimento e custo de manutenção do equipamento é fundamental para o país. A gigantesca capacidade computacional ajudará pesquisas científicas das mais diversas áreas, como biologia, mineração, climatologia, medicina, física e química. As aplicações são imensas e a maior vantagem comparado a outros supercomputadores é sua disponibilidade pública.

Para usar o poder de computação basta ter um projeto elegível e fazer a requisição no site oficial: http://sdumont.lncc.br/sdumont.php?pg=sdumont#

Outros supercomputadores


O mais poderoso supercomputador do planeta é o chinês Tianhe-2, desenvolvido pela National University of Defence Technology. Ele tem a capacidade computacional de quase 34 PetaFLOPS, com pico teórico de até 55 PetaFLOPS, graças aos 32 mil processadores Intel Xeon E5-2692 e o sistema operacional Kylin Linux (não confunda com o Ubuntu Kylin, voltado para desktops).

No top 10 ainda estão 5 supercomputadores dos EUA e um do Japão, Suíça, Alemanha e Arábia Saudita.

Ranking do site Top500.
O Brasil ainda conta com mais supercomputadores no ranking dos 500 mais potentes. São eles: SENAI CIMATEC Yemoja, do SENAI, na posição 242; Grifo04, da Petrobras, em 407; e o Tupã, do INPE, em 447.

Torceremos para que os acordos entre Brasil e França gere mais frutos, além do Santos Dumont. Não existe pesquisa avança e complexa sem capacidade computacional.


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